Alegado do poema

Sempre dissem que se escrevo poesia é porque não sei escrever mais nada. É algo que manterei a minha vida toda e que ninguém me vai poder fazer revisar. Eu, firmíssimo defensor da lírica, posso ser interpretado como um inimigo do género, pois, ao me menos-valorar, menos-valoro a poética. Menos-valoro a poética? Menos-valoro-me? Com certeza que não!

Falar eu de poesia implica duas ideias: implica, em primeiro lugar, a consideração da poesia como tudo aquilo que implica intensidade artística comprometida, sem importância da extensão ou a forma (quer poesia estrita, quer narrativa ou quer teatro); e em segundo lugar, e paradoxalmente, a consideração da poesia como estrita e por tanto -consideravelmente- breve.

Sempre dissem que se escrevo poesia é porque não sei escrever mais nada. Sou incapaz de criar algo com umha extensão de palavras maior do que umha página -ou igual do que umha página mesmo-, mas isto não é necessariamente mau. Eu sou um factor de anãs brancas, e sou consciente disso. Não escreverei muitas palavras, mas as poucas palavras que mancharem a página serão fortes, irredutíveis, ou se calhar serão febres; serão o que eu quiser que sejam.

Por isto, desconsiderar-me eu como escritor doutra cousa que não seja poesia não implica umha menos-valoração desta, mas umha revalorização de mim como criador artístico.

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