Do século XII ao XXI

Como poeta é realmente perturbador atitudes amplamente consensualizadas sobre “como é que tem que ser o amor”, entendendo a maior parte da gente “como é que se tem que conquistar umha mulher”. É preocupante porque um não deixa de ver que os tópicos amorosos mal foram evoluídos ao longo do tempo, e um segue a cantar o amor através de lugares comuns como a dor, a lembrança, os olhos… São cousas que ficam, que não se dão sempre, mas formam parte do nosso ideário comum ocidental.

Como poeta, tenho o dever -e a honra- de poder advertir que as mulheres não se conquistam. As mulheres são pessoas, digo-o porque a gente se esquece muito rápido desta realidade, as mulheres não são a midons occitana, nem a mia senhor galego-portuguesa: irreais, sublimes, semidivinas. As mulheres não há que amá-las assim ou assám, implicando passividade nelas, cousificando-as.

Nunca vos fixastes que os homens conquistas mas as mulheres seduzem? Quer dizer, as mulheres utilizam as suas “armas de mulher” -polo tanto obscuras e facilmente desacreditáveis- para fazerem os homens ter que conquistá-las. É selvagem, assustador, essa ideia de que as mulheres até quando são activas buscam a passividade. Mas bom, isso dá outro tema.

Polo tanto, reitero que toda ideia “romântica” que comece por “como há que amar as mulheres” deve ser desbotada imediatamente. Postularmos universais amatórios sobre como funcionam as mulheres é doentio, estigmatiza-as ao classificá-las como objectos alheios ao humano. Pois o humano -o homem [sic]- é quem pode amor o mundo -animais, cousas e mulheres [sic]-. Posiciona-as sujeitas ao amor, entendido este como convenção hetero-patriarcal unicamente desenvolvida em direcção homem > mulher (sujeito > objecto).

E como poeta, por muito que fale de amor, nunca falarei de mulheres, mas de umha mulher, de umha pessoa: individual, diferente de qualquer outra, que não pode servir de modelo para ninguém; assim como eu, e como todas nós. Porque todas somos diferentes, e não se ama “às mulheres”.

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