Todolos artigos de: Inácio Prada

Eu mordim a maçã mas não pequei

A todas as bruxas.

Feliz festival do Mabon.

 

Assumim devir mulher,

para me poder retorcer na minha arte

para fazer arte

porque os homens não sabem.

Assumim devir puta,

para me poder reconhecer bem como mulher

para ser incómod@

para berrar as desgraças do mundo de nosso.

Assumim devir bruxa,

para ter o poder roubado pelos homens

para ser três vezes, sete vezes incómod@

para fazer Arte

para me poder retorcer na minha Arte

porque os homens não sabem.

Esqueci o título, buf a cabeça.

«De cumbia, huapango y son,
caballo, bota y sombrero,
tequila, tabaco y ron.»

Thalia

 

As erasmus voltam sem ter nunca estado a Compostela

o vodka melhor com lima e a tequila, a tequila também

melhor com lima.                                                                            A festa ontem bem

a festa agora é a ressaca e Katy Perry.

Como órfão II

Morrerei esquecido, ninguém lembrará as minhas palavras.

Porque o espanhol não me solta,                                                                         entre perr@s poetas, alt lit e novíssimos.

Porque a poesia em português semelha ter morrido na década de 90s.

Why do you want to live forever? No one wants to run forever.

You: dimi

You: ti piace la poesia?

Stranger: mm si dai 🙂 perché? a te?

You: sì, infatti io sono poeta, ma quello non è cosa d’importante perché quello che volgio è conoscerci la nuova poesia italiana

You: quella che si sta facendo adesso

You: mentre ci parliamo

You: la conosci quella poesia?

You: l’hai vista?

Stranger: ahaha addirittura 🙂

You: l’hai visuta?

Stranger: la sto conoscendo

You: ecco!

You: e qual è?

You: :3

Stranger: una poesia di gente sconosciuta che chatta ahaha 🙂

You: bella

Stranger: si dai

You: forse non dovviamo arruvinarla :0

Stranger: dici?

You: questa è la parte che più volgio e più mi fa male della poesia.

Do século XII ao XXI

Como poeta é realmente perturbador atitudes amplamente consensualizadas sobre “como é que tem que ser o amor”, entendendo a maior parte da gente “como é que se tem que conquistar umha mulher”. É preocupante porque um não deixa de ver que os tópicos amorosos mal foram evoluídos ao longo do tempo, e um segue a cantar o amor através de lugares comuns como a dor, a lembrança, os olhos… São cousas que ficam, que não se dão sempre, mas formam parte do nosso ideário comum ocidental.

Como poeta, tenho o dever -e a honra- de poder advertir que as mulheres não se conquistam. As mulheres são pessoas, digo-o porque a gente se esquece muito rápido desta realidade, as mulheres não são a midons occitana, nem a mia senhor galego-portuguesa: irreais, sublimes, semidivinas. As mulheres não há que amá-las assim ou assám, implicando passividade nelas, cousificando-as.

Nunca vos fixastes que os homens conquistas mas as mulheres seduzem? Quer dizer, as mulheres utilizam as suas “armas de mulher” -polo tanto obscuras e facilmente desacreditáveis- para fazerem os homens ter que conquistá-las. É selvagem, assustador, essa ideia de que as mulheres até quando são activas buscam a passividade. Mas bom, isso dá outro tema.

Polo tanto, reitero que toda ideia “romântica” que comece por “como há que amar as mulheres” deve ser desbotada imediatamente. Postularmos universais amatórios sobre como funcionam as mulheres é doentio, estigmatiza-as ao classificá-las como objectos alheios ao humano. Pois o humano -o homem [sic]- é quem pode amor o mundo -animais, cousas e mulheres [sic]-. Posiciona-as sujeitas ao amor, entendido este como convenção hetero-patriarcal unicamente desenvolvida em direcção homem > mulher (sujeito > objecto).

E como poeta, por muito que fale de amor, nunca falarei de mulheres, mas de umha mulher, de umha pessoa: individual, diferente de qualquer outra, que não pode servir de modelo para ninguém; assim como eu, e como todas nós. Porque todas somos diferentes, e não se ama “às mulheres”.

Alegado do poema

Sempre dissem que se escrevo poesia é porque não sei escrever mais nada. É algo que manterei a minha vida toda e que ninguém me vai poder fazer revisar. Eu, firmíssimo defensor da lírica, posso ser interpretado como um inimigo do género, pois, ao me menos-valorar, menos-valoro a poética. Menos-valoro a poética? Menos-valoro-me? Com certeza que não!

Falar eu de poesia implica duas ideias: implica, em primeiro lugar, a consideração da poesia como tudo aquilo que implica intensidade artística comprometida, sem importância da extensão ou a forma (quer poesia estrita, quer narrativa ou quer teatro); e em segundo lugar, e paradoxalmente, a consideração da poesia como estrita e por tanto -consideravelmente- breve.

Sempre dissem que se escrevo poesia é porque não sei escrever mais nada. Sou incapaz de criar algo com umha extensão de palavras maior do que umha página -ou igual do que umha página mesmo-, mas isto não é necessariamente mau. Eu sou um factor de anãs brancas, e sou consciente disso. Não escreverei muitas palavras, mas as poucas palavras que mancharem a página serão fortes, irredutíveis, ou se calhar serão febres; serão o que eu quiser que sejam.

Por isto, desconsiderar-me eu como escritor doutra cousa que não seja poesia não implica umha menos-valoração desta, mas umha revalorização de mim como criador artístico.

Um blogue novo, não um novo blogue

Não se confundam não! Permito-me parafrasear o presidente da nova entidade bancária galega para anunciar que ponho este blogue a serviço da Galiza, embora a Galiza não vá ler este blogue. Ainda ser um novo blogue novo, e tenho pensado dedicar mais espaço à minha produção literária, mas vou resgatar a primeira entrada do velho Nuvem, assim como algumha outra entrada que considero importante manter.

Eis a primeira entrada:

«A imposição»

Eu sou castelhano-falante, criei-me em castelhano, abofé que aprendim galego na escola mas como a maior parte de castelhano-falantes deste meu país, ignorei toda a minha vida o facto de conhecer esta língua. Simplesmente nunca o pensara detidamente, nunca pensara nas consequências nem nos porquês de falar umha língua ou outra.

Eu como castelhano-falante, sempre tivem a minha vida feita, pois a minha língua não causa problema nenhum na vida diária. Se falo com alguém, uso o castelhano; se preciso de comprar algo, uso o castelhano; a sinalização, em castelhano; as lojas, os produtos, em castelhano.

Eu como castelhano-falante, tenho ao meu dispor dúzias de canais na televisão, qualquer filme que eu quiser, qualquer vídeo-jogo, qualquer livro.

Eu como castelhano-falante posso chegar a qualquer lugar de fala galega a falar castelhano… E não se passa nada!

Acho engraçada a ideia do galego estar imposto quando nenhum, e quando digo nenhum é literalmente nenhum, galego-falante pode ter acesso à totalidade das devanditas sortes, que tem qualquer castelhano-falante da Galiza, na sua língua.

Acho também, neste sentido, problemática a ideia folclorista de ser o galego uma cor (de)mais no abano cultural espanhol. O “o galego está bem aprendê-lo, mas o espanhol é mais importante e necessário”. Justificando assim o ensino da língua própria da Galiza como umha mera cessão do benevolente Reino de Espanha.

Na verdade, os benevolentes teríamos de ser nós próprios a permitir o estudo e amparo da língua castelhana no nosso território… Mas isso é apenas umha de tantas Utopias a se desfazer na altura de alcançá-la.